ANSIOLÍTICOS-TIPOS DE DROGAS
São drogas sintéticas , ou seja são os tranqüilizantes e relaxantes, e reduzem o estado de alerta, como a ansiedade e a tensão emocional.
São medicamentos prescritos por médicos aos pacientes, e viram drogas ao serem utilizadas por conta própria. Ativam o circuito de recompensa e de bem estar , liberando mais dopamina (um neurotransmissor), o que reforça o consumo.A dopamina e a noradrenalina proporcionam energia e disposição. Então,a cafeína aumenta os níveis de dopamina no organismo, portanto tomar muito café gera no indivíduo um efeito de estimulante. Portanto criam o vício.
Efeitos no cérebro:
Todos os Benzodiazepínicos (grupo de fármacos ansiolíticos usados como sedativos e também relaxantes musculares), estimulam os mecanismos no nosso cérebro que normalmente combatem estados de tensão e ansiedade. Devido às tensões do dia a dia ou por causas mais sérias, determinadas áreas do nosso cérebro funcionam exageradamente resultando num estado de ansiedade. Os benzodiazepínicos exercem um efeito contrário, isto é, inibem os mecanismos que estavam hiperfuncionantes e a pessoa fica mais tranqüila, como que desligada do meio ambiente e dos estímulos externos.
Como conseqüência desta ação os ansiolíticos produzem uma depressão da atividade do nosso cérebro que se caracteriza por:
1) Diminuição de ansiedade;
2) Indução de sono;
3) Relaxamento muscular;
4) Redução do estado de alerta.
É importante notar que estes efeitos dos ansiolíticos benzodiazepínicos são grandemente alimentados pelo álcool, e a mistura álcool + estas drogas pode levar uma pessoa ao estado de coma.
Além desses efeitos principais, os ansiolíticos dificultam os processos de aprendizagem e memória, o que é, evidentemente, bastante prejudicial para as pessoas que habitualmente utilizam-se destas drogas.
Estas drogas também prejudicam as nossas funções psicomotoras, prejudicando atividades como dirigir automóveis, aumentando a probabilidade de acidentes.
Os benzodiazepínicos quando usados por alguns meses seguidos podem levar as pessoas a um estado de dependência. Como conseqüência, sem a droga o indivíduo passa a sentir muita irritabilidade, insônia excessiva, sudoração, dor pelo corpo todo podendo, nos casos extremos, apresentar convulsões. Se a dose tomada já é grande desde o início ,a dependência ocorre mais rapidamente ainda. Há também desenvolvimento de tolerância, embora esta não seja muito acentuada, isto é, a pessoa acostumada à droga não precisa aumentar de muitas vezes a dose para obter o efeito inicial.
Por:Suely Bischoff Machado de Oliveira sbischoffmo@gmail.com Fonte:UNIFESP
PEDOFILIA-PARAFILIAS-PARTE II
PEDOFILIA-PARAFILIAS-PARTE II
Diagnóstico A Classificação Internacional de Doenças (CID-10), da OMS-Organização Mundial da Saúde, item F65.4, define a pedofilia como a preferência sexual por crianças quer se trate de meninos,meninas ou de crianças de um ou do outro sexo,geralmente pré-puberes.
O Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders, 4th edition (DSM-IV), define uma pessoa como pedófila caso ela cumpra os três quesitos abaixo:
1 .Por um período de ao menos seis meses, a pessoa possui intensa atração sexual, fantasias sexuais ou outros comportamentos de caráter sexual por pessoas menores de 12 anos de idade ou que ainda não tenham entrado puberdade.
2. A pessoa decide por realizar seus desejos,
3. A pessoa possui mais do que 12 anos de idade e é no mínimo 5 anos mais velha do que a criança. Este critério não se aplica a indivíduos com 12-13 anos de idade ou mais, envolvidos em um relacionamento amoroso (namoro) com um indivíduo entre 17 e 20 anos de idade ou mais. Haja vista que nesta faixa etária sempre aconteceram e geralmente acontecem diversos relacionamentos entre adolescentes e adultos de idades diferentes. Namoro entre adolescentes e adultos não é considerado pedofilia por especialistas no assunto. (Exemplo: O namoro entre uma adolescente de 14 anos e um jovem de 18 anos)
Legislação
A pedofilia era tolerada ou ignorada em muitas legislações dos países, o que foi sendo paulatinamente modificado com a aprovação sucessiva de tratados internacionais, que culminaram com a aprovação, em 1989 pela ONU, da Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança , no artigo 19 que obriga aos estados a adoção de medidas que protejam a infância e adolescência do abuso, ameaça ou lesão à sua integridade sexual.
No Brasil, a lei brasileira não possui o tipo penal "pedofilia". Entretanto, a pedofilia, como contato sexual entre crianças e adultos, se enquadra juridicamente no crime de estupro de vulnerável ,art.217-A do Código Penal., com pena de oito a quinze anos de reclusão e considerados crimes hediondos.
Tratamento
Medicações antiandrogênicas como Depo Provera podem ser utilizadas para diminuir o nível de testosterona no paciente
Também certas terapias de controle como a castração química para inibir os desejos sexuais são alvo de críticas médicas, contudo é um método que mostra alguns bons resultados.
Pacientes com parafilias são notoriamente difíceis de ser tratados, pois negam peremptoriamente e afirmam que já não mais existe o problema para eles.. A grande maioria busca tratamento sob pressão para influenciar o juiz na sentença. E a expectativa do terapeuta deve ser modesta. Outro dilema freqüentemente encontrado em psicoterapia gira em torno da evitação de uma punição frente à atividade perversa do paciente. Grande parte de pacientes pedófilos tenta driblar o terapeuta pouco experiente,alegando vergonha,embaraço e humilhação A maioria dos Estados tem leis que exigem que um terapeuta quebre a confidencialidade caso a atividade pedófila seja revelada durante o tratamento psicológico.
Por Suely Bischoff Machado de Oliveira
Psicóloga crp 06/8495
sbischoffmo@gmail.com
PEDOFILIA-PARAFILIAS-PARTE I
Definição
Segundo CROCE(1995) pedofilia é o desvio sexual caracterizado pela atração por crianças, com os quais os portadores dão vazão ao erotismo pela prática de obscenidades ou de atos libidinosos.
A palavra pedofilia vem do grego paidóphilos com o significado de amigo das crianças. Também chamada de paedophilia erótica ou pedosexualidade.
Parafilia, do grego para ,fora de,e philia ,amor, é um padrão de comportamento sexual onde em geral, a fonte predominante de prazer não se encontra na cópula, mas em alguma outra atividade.
Causas e Compreensão psicodinâmica
Em grande parte a etiologia das parafilias permanece um mistério, contudo segundo FREUD(1905/1053) a clássica visão das perversões , que são multideterminadas, está profundamente inserida na teoria das pulsões. Ele descreveu a neurose como o negativo das perversões.
Para FENICHEL(1945) as perversões podem ser fixações ou regressões a formas infantis de sexualidade que permanecem na vida adulta.
Para ZIMERMAN(2005) as parafilias são encontradas quase que exclusivamente em homens.
As parafilias são classificadas como distorções da preferencia sexual no CID -10ºed (Classificação Internacional das Doenças) na classe F65.4, dentro de F60-Transtornos específicos de personalidade. Um transtorno específico de personalidade é uma perturbação grave da constituição caracterológica e das tendencias comportamentais do indivíduo.
Segundo ZIMERMAN(2005) o transtorno de personalidade tende a aparecer no final da infancia ou na adolescencia e continua a se manifestar pela idade adulta.
Segundo GABBARD (2006),de todas as perversões, a pedofilia é a que tem a maior probabilidade de criar sentimentos de aversão e desprezo nos terapeutas. É um intenso ódio contratransferencial, ou seja, do terapeuta contra o paciente. Para satisfazer seus desejos sexuais, o pedófilo pode causar prejuízos irreparáveis numa criança.
Para McDOUGALL (1986) a expressão perversão deve ser reservada para situações nas quais uma pessoa impõe desejos pessoais a um companheiro que reluta em se envolver naquele cenário sexual individual ,ou seduz um indivíduo não responsável, como uma criança ou um adulto com deficiência mental.
Já STOLLER (1975) definiu a perversão como a forma erótica do ódio. A essência da perversão é uma conversão do trauma infantil em triunfo adulto.É o poder do forte sobre o indefeso.
O DSM-IV(2000), Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders- Fourth Edition/ Manual Diagnóstico e Estatístico de Doenças Mentais utiliza a expressão parafilia em vez de perversão ou desvio.
Ainda segundo o DSM-IV, existe uma classificação desta doença em termos de severidade,ou seja, entre fantasia e a ação.
Grau leve:os pacientes são muito angustiados a respeito de seus desejos sexuais parafílicos,mas não os colocam em prática
Grau moderado:os pacientes colocam os seus desejos em ação, mas só ocasionalmente.
Grau severo:os pacientes repetidamente colocam em prática os seus desejos parafílicos.
Segundo FREUD (1905/1953) e FENICHEL (1945) a pedofilia representa uma escolha narcisista de objeto, isto é ,o pedófilo vê uma criança como uma imagem espelhada dele mesmo quando criança.É uma evitação de ansiedade de castração. Na prática clínica percebe-se que muitos pedófilos apresentam sérios transtornos de personalidade.
De acordo com RAYMOND et al (1999) a atividade sexual com crianças pré-púberes pode ser um facilitador para a manutenção da frágil auto-estima do pedófilo em alta. Também ocorre uma dinâmica sádica no comportamento do pedófilo, isto é, a conquista sexual da criança é ferramenta da vingança. Ou seja, ele se vinga numa criança ,do mal que também sofreu por parte de um adulto em sua infância.
Para FAGAN et al (2005) muito freqüentemente, os pedófilos foram eles próprios vítimas de abuso sexual na infância, e uma sensação de triunfo e de poder sobre o outro pode suavizar o trauma vivido.
GANZARAIN e BUCHELE (1990) enfatizam que poder e agressão representam fermento para o pedófilo, cuja atividade sexual está limitada a relações incestuosas com seus próprios filhos ou enteados. Esses homens com freqüência quando casados, não se sentem amados por suas esposas e vê em seus filhos, a própria imagem vitimizada. Eles representam mártires frente às suas esposas, o que é uma forma de controle e de poder sobre elas. Esses pais nutrem uma extraordinária hostilidade em relação a mulheres e pensam no pênis como uma arma a ser usada em atitudes de vingança contra as mulheres. Mulheres geram crianças e conseqüentemente têm filhos.
Para GROTH (1979) os pedófilos são em geral diferenciados por serem fixados ou regressivos.
O pedófilo fixado sente-se sexualmente atraído por pessoas mais jovens a partir da adolescência, e com freqüência comete os seus atos contra meninos .Também tendem a ter muitas vítimas e têm como presa meninos que não moram em sua casa. Têm um prognóstico não muito bom.
E o pedófilo regressivo geralmente não se sente atraído por pessoas mais jovens e exploram geralmente meninas.O pedófilo regressivo comete o seu ato em casa sob a forma de relação incestuosa e tendem a possuir poucas vítimas. Pelo fato de poderem também ser atraídos por mulheres adultas, o prognóstico é melhor do que o pedófilo fixado.
As pessoas que molestam crianças apresentam altos graus de psicopatologia (ALMEYER,2003).
Mefedrona/A nova droga da moda
O consumo de mefedrona aumenta na Europa e nos EUA
Pode-se afirmar que a mefedrona,um fertilizante de plantas é vendida freqüentemente pela Internet.
O Escritório das Nações Unidas contra Drogas e Crime, Unodc, faz um alerta para o potencial letal da mefedrona, uma nova droga sintética usada como alternativa à cocaína e à anfetamina. Segundo a agência da ONU, o consumo da droga está aumentando na Europa, América do Norte e Austrália.
Por ser uma droga recente não se acha ainda sob o controle internacional, é conhecida também como "miau-miau" ou "M-cat".
O gerente do programa de drogas sintéticas do Unodc, Beate Hammond, explica que há poucas informações sobre a mefedrona e que o uso de pequenas quantidades causa sérios riscos à saúde. De acordo com Hammond, há confirmações de mortes após o consumo do "miau-miau".
Geralmente vendida na forma de pó branco, os efeitos da mefedrona incluem aumento da euforia, estado de alerta e agitação.
A mefedrona é produzida para criar efeitos similares aos da cocaína. Mas por conta da diferença nos químicos, não há ainda nenhuma restrição legislativa em relação à produção e distribuição.
Por ser nova no mercado, há pouca pesquisa sobre todos os efeitos e capacidade tóxica. Na Europa, a substância está sendo investigada pelo Centro de Monitoramento de Drogas, que deve concluir em julho um relatório sobre a mefedrona.
Fonte:ABEAD (Associação Brasileira de Estudos do Álcool e outras Drogas)
Escrito por Suely Bischoff Machado de Oliveira
sbischoffmo@gmail.com
Recanto das Letras
http://recantodasletras.uol.com.br/autores/sussu
Olá
Eu convido a todos a navegarem pelas letras de minhas poesias no Recanto das Letras.
abraços
suely bischoff machado de oliveira
Alguns dos sintomas de depressão
Alguns dos sintomas de depressãohttp://www.petatv.com/swf/video.swf?v=fur_farm_high" quality = "high" pluginspage = "http://www.macromedia.com/go/getflashplayer" type = " application / x-shockwave-flash "width =" 335 "height =" 255 "allowScriptAccess =" always ">
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Você pode fazer toda a diferença e escolha qual o caminho a seguir.
Câncer do colo do útero/Câncer cervical
Câncer do colo do útero/ Câncer cervical
Introdução
O útero é o maior órgão que compõe o sistema reprodutor feminino da maioria dos mamíferos, incluindo os seres humanos. É um órgão oco,ímpar e mediano, em forma de uma pêra invertida. E existe nele uma passagem para que os espermatozóides depositados na vagina tenham condições de alcançar a tuba uterina.Sua função principal é receber o óvulo fertilizado e lhe dar todas as condições para seu desenvolvimento. O óvulo fertilizado se dirige ao útero ainda como um embrião, e dentro deste órgão, ele se torna um feto que se desenvolverá no decorrer da gestação.Anatomicamente, ele apresenta uma a forma de domo, na parte superior das tubas uterinas (conhecida como fundo do útero), uma região central delgada (conhecida como corpo do útero) e uma parte mais estreita que possui uma abertura para a vagina (conhecida como colo do útero). Sua parte interior é conhecida como cavidade uterina.
Ele possui uma camada muscular intermediária - chamada miométrio - que compõe a porção principal da parede uterina. Na região mais interna desta parede encontra-se o endométrio, tecido ricamente vascularizado composto por capilares sanguíneos. E cabe ao endométrio a função de nutrir o feto, contudo, sempre que não ocorre a fecundação do óvulo, ele é descartado na menstruação..
Após sair do ovário, o óvulo pode viver no máximo vinte e quatro horas; contudo, ele vive em média dez horas. Após este período ele passará por um processo conhecido como autólise, ou seja, ele se autodestruirá.
FATORES DE RISCO
Vários são os fatores de risco associados para o câncer do colo do útero, como as BAIXAS CONDIÇÕES SÓCIAS ECONÔMICAS, INÍCIO PRECOCE DA ATIVIDADE SEXUAL,MULTIPLICIDADE DE PARCEIROS SEXUAIS, TABAGISMO (diretamente relacionados à quantidade de cigarros fumados), à HIGIENE ÍNTIMA INADEQUADA e USO PROLONGADO DE CONTRACEPTIVOS ORAIS. Estima-se em 900 MIL NOVOS CASOS DE CÂNCER DE COLO DO ÚTERO /ANO NO MUNDO.
PREVENÇÃO:
A PREVENÇÃO PRIMÁRIA do câncer do colo do útero pode ser realizada através do uso de PRESERVATIVOS numa relação sexual. A prática do sexo seguro é uma das formas de evitar o contágio pelo HPV(PAPILOMAVIRUS HUMANO).
A principal estratégia utilizada para detecção e diagnóstico precoce do câncer (PREVENÇÃO SECUNDÁRIA) no Brasil é através da realização do EXAME PREVENTIVO conhecido popularmente como exame de PAPANICOLAU . Mulheres GRÁVIDAS PODEM REALIZAR O EXAME também. O exame consiste na coleta de material do colo do útero ,e pode ser realizado nos postos ou unidades de saúde que tenham profissionais da saúde capacitados para realizá-los.A fim de garantir a EFICÁCIA dos resultados, a mulher deve evitar relações sexuais, uso de duchas ou medicamentos vaginais e anticoncepcionais locais nas 48 horas anteriores ao exame. Além disto, o exame não deve ser feito no PERÍODO MENSTRUAL pois a presença de sangue pode alterar o resultado.
Quem E QUANDO FAZER O EXAME PREVENTIVO:
Toda mulher na faixa etária dos 25 aos 59 anos, que tem ou já teve atividade sexual deve submeter-se a exame preventivo anual .
Recentemente foi liberada uma vacina para o HPV. É importante enfatizar que esta vacina não protege contra todos os subtipos do HPV.
Existe uma FASE PRÉ CLÍNICA, sem sintomas do câncer do colo do útero,e uma FASE CLÍNICA com os sintomas de SANGRAMENTO VAGINAL, Corrimento uterino, e DOR.
Tratamento
O tratamento adequado para cada caso deve ser avaliado e orientado por uma equipe multidisciplinar (médico, psicóloga,etc...).Os EFEITOS PSICOLÓGICOS podem se fazer notar em mulheres com câncer de modo geral. O CÂNCER é UMA DOENÇA CRÔNICA e pode o paciente apresentar sintomas como HUMOR DEPRIMIDO,ANSIEDADE,BAIXA AUTO-ESTIMA,ALTERAÇÕES NA PERCEPÇÃO DA IMAGEM CORPORAL,IDÉIAS SUICIDAS,etc...


O FICAR na adolescência/parte III
O FICAR na adolescência /Parte III
E a palavra ficar no sentido genérico do termo como um estado de parada, para os adolescentes significa um relacionamento episódico e ocasional, com a duração de apenas algumas horas ao longo de uma noitada.
Envolve beijos, abraços, carinhos e eventualmente relações sexuais, sem compromissos futuros, e são vistos como um relacionamento passageiro, fortuito e superficial. A característica do ficar é uma atração ou interesse, normalmente num local de encontro de jovens na noite, e que dura enquanto durar aquele encontro.
Algumas pesquisas sinalizam que o ficar não foi citado como o tipo de relacionamento preferido, e sim o namoro.
O que isto significa?
Significa que o ficar é tão somente um modo de aprender com, uma experiência exploratória, um se perceber a si mesmo, um treino para futuras escolhas e para tomadas de decisão.
É diferente da paquera?
Sim, na medida em que na paquera há trocas de olhares e uma conversa mais discreta sem contato físico.
O ficar pode bem ser considerado uma variante da paquera e também veio para substituir um outro tipo de relacionamento, ou seja, o relacionamento estabelecido entre jovens e prostitutas. Então ele é um facilitador num treino sexual para os meninos.
As expressões namoro firme ou namoro sério, são bastante antigas e ainda hoje são utilizadas para designar relacionamentos com um maior grau de compromisso e de longevidade.
O que se percebe é que num grupo de adolescentes, as meninas discriminam as que ficam principalmente em relação àquelas que ficam e se relacionam sexualmente. São as chamadas galinhas ou não-sérias.
Também como antigamente, é sobre a mulher que recai o ônus de um comprometimento sexual, onde algumas surpresas de teor indesejável podem resultar, ou seja, a gravidez.
Para o jovem adolescente se é atraente o amor romântico, alicerçado na segurança, confiabilidade, fidelidade, durabilidade; por outro lado também lhe é fascinante o mundo da independência, da autonomia, etc.
Portanto, o que se depreende disto tudo é que, o ficar é um tipo novo de relacionamento que tende a se tornar hegemônico, ou seja, é um tipo de relacionamento movido pelas tendenciosidades da época.
Não é um modismo, mas um novo paradigma de relacionamento emergente nesse nosso tempo. Este ficar também está inserido na temporalidade de um imediatismo sem igual, em outros campos sociais que governam o nosso movimento.
Isto significa um abreviamento em todos os setores, quais sejam do trabalho, onde os vínculos empregatícios também encurtaram, da vizinhança, da amizade, da família, etc..
Hoje o vetor que rege a nossa vida é o do acelerador do tempo, do alargamento do espaço, da incerteza quanto ao futuro, dos riscos, da insegurança, da provisoriedade do amor ao trabalho, dos confinamentos, da solidão em que o indivíduo vive ,e da descartabilidade associada à pressão do consumismo, etc.
Assim o ficar inscreve-se nesse paradigma da contemporaneidade que privilegia o achatamento do tempo, a expansão geográfica, econômica, política e psico-social, o individualismo, o isolamento, o desamparo, o hedonismo, o narcisismo, a competitividade, etc..

Escrito por Suely Bischoff Machado de Oliveira
Psicóloga CRP 06/8495 pela UNESP
Psico oncologista pelo Hospital do Câncer A.C.Camargo
O FICAR na adolescência/parte II
O FICAR NA ADOLESCÊNCIA /Parte II
Segundo CALLIGARIS (1992) a formação da cultura brasileira nasceu da ruptura de imigrantes com as suas referências anteriores, ou seja, a pátria abandonada para uma nova pátria. Assim é que temos muitas cidades com nomes referenciados a outras cidades, isto é, Nova Friburgo, Nova Odessa, Novo Hamburgo, etc.
Para AZEVEDO (1963) e FREYRE (1936) esta formação da cultura brasileira é um encontro de três raças, o branco europeu, o negro africano e o vermelho indígena.
Esta necessidade de renomear com prefixo NOVO, antigas e tradicionais cidades, também existe na miscigenação entre os diferentes povos, como um acontecimento inevitável e extenso na constituição da brasilidade.
Aqui também se tem a sensualidade, afetividade e o prazer como marcas de um povo miscigenado, que se encontra aberto às influencias externas, ou seja, o brasileiro venera o desconhecido, o diferente e assim por diante.
Para BERMAN (1986) o culto ao novo, enquanto um indivíduo jovem, é valorizado, enquanto existe uma notória depreciação ao idoso. A cidade é dos jovens, diferentemente do que acontece em outros países..
O adolescente brasileiro pode ser considerado como sendo o protótipo do sujeito errante, sem raízes ou em processo de desenraizamento, plástico, desterritorializado, flexível, consumista, narcisista, etc..
Para GIDDENS (1991) a errância ou desterritorialização implica a disposição para vivenciar situações de desencaixes e re-encaixes, por meio de mudanças de cidades, habitações, em busca de melhores condições de vida, de salários, de estudos, de empregos, etc. significando toda uma reconstrução das relações sociais internalizadas nos lugares de origem.
Assim também o jovem adolescente migra para novos comportamentos numa plasticidade afetiva e maleável em todos os planos da sua vida, ou seja, ele é essencialmente um ser volátil, portador dos germes das mudanças, é uma metamorfose ambulante num ritmo frenético, numa velocidade e competitividade muito intensas.. E estas nem sempre adequadas e satisfatórias à sociedade.
E nós vivemos hoje, a era da instantaneidade, em que não é preciso mais esperar ou retardar a satisfação de um desejo, como banco 24 horas, disk pizza, o celular, a Internet, e mesmo o FICAR, etc.
Do ponto de vista psicanalítico, somos como os bebês que têm as suas necessidades prontamente atendidas por sua mãe, ou seja, vivemos o imediatismo, e assim somos soberanos.
A adolescência se insere numa disposição psicológica para o descarte, onde o plano afetivo emocional também segue a regra do descartável, uma marca da contemporaneidade que enaltece a adolescência e vitimiza o idoso.
O ficar é instantâneo, descartável, imediatista, e passa a ser tratado não como um afeto entre duas pessoas, e sim como uma mercadoria qualquer, que pode ser barganhada. Esta cultura e modo de comportamento invadem as subjetividades solapando as clássicas figuras da identidade de um indivíduo.
O imediatismo do ficar para o adolescente implica em não se fixar a nada e a ninguém, com um caráter de praticidade, que no futuro o irá pulverizar com diversas frustrações no âmbito emocional.
Segundo ROLNIK (1997) o adolescente diante do comportamento de ficar, pode ser considerado como um kit, como padrão de identidade disponível no mercado para amplo consumo, sendo também renovável.
Há algum tempo vêm-se observando mudanças na organização da família devido a transformações nos vínculos afetivos e nos relacionamentos que davam suporte à família nuclear tradicional. Assim, as relações passam a ser mais fluidas, breves, instantâneas, diversificadas e instáveis.
Como assinala GIDDENS (1991) o amor romântico está dando lugar ao amor plástico, algo parecido como um negócio dentro de uma relação, e onde tem prazo de validade, ou seja, dura enquanto durar a co-satisfação entre os parceiros.
Para BAUMAN (1998) um outro aspecto do relacionamento afetivo da contemporaneidade, assentado na sexualidade, é que antes a sexualidade era colocada a serviço de um projeto de vida, e hoje a sexualidade é colocada simplesmente de modo hedonista, egoísta, imediatista e também isolacionista.
Trata-se, portanto, de um mundo que não favorece a aproximação entre as pessoas, a criação de vínculos duradouros, a associatividade e a grupalização.
Nesse cenário, o adolescente se vê impelido a relações breves, voltadas tão somente para a satisfação pessoal.
Embora o relacionamento afetivo FICAR seja o mais expressivo entre os adolescentes, ele também pode estar presente em indivíduos com outras faixas etárias.
O FICAR na adolescência/parte I
Parte I
A palavra FICAR do latim figicare significa estacionar num lugar, não sair dele. Assim, o termo ficar no uso atual de nossa época, representa um relacionamento afetivo bastante popular, breve, passageiro, descompromissado, volátil, e imediatista entre os adolescentes.
A adolescência por si mesma acabou por ganhar um espaço na sociedade, onde influências sociais, étnicas, religiosas e psicológicas passam a ter uma forte presença no cotidiano do indivíduo.
Assim é freqüente descrever o adolescente como um indivíduo em constante conflito, rebelde, inconformista, idealista, vanguardista, revolucionário, e tantas outras nominações.
Podemos nos reportar ao século XX, onde o adolescente era a personificação de beleza, juventude, liberdade, potência, inteligência, com espírito batalhador e desbravador. Bem como um ser dotado de ideais exacerbados, como também um crítico ferrenho às questões sociais.
Outrossim, a adolescência foi vista como um período onde mudanças de teor afetivo, emocional, de identidade, de valores sociais, etc. eram muito intensas. Este comportamento era aprovado pela sociedade, que considerava o jovem, um instrumento positivo para o ressurgimento de mudanças para o bem comum.
E também no quesito das crises existenciais, onde mudanças, rupturas, desestruturação e outros sofrimentos diversos geravam no final, um avanço.
A chamada crise da adolescência traz como significação básica, a potencialização da vida, a dinamização do indivíduo e do seu mundo.
Ao contrário das crises de outras idades, como por exemplo, a crise da velhice, onde a aposentadoria inevitavelmente traz um grande prejuízo numa desvitalização, enfraquecimento e mesmo desmoralização do indivíduo.
A adolescência é a fase das grandes transformações biopsicológicas e sociais que irão dar o acabamento final do indivíduo, enquanto um ser desejante.
Assim, muitas são as teorias científicas, como a psicanálise, a epistemologia genética, etc., mas todas elas concordam em que a adolescência é a fase das grandes conquistas e das transformações.
O adolescente irá incorporar tudo a seu redor, e estará se desvinculando de um círculo social restrito e primário, como é a sua família, e entrando para um círculo social muito mais amplo e secundário, que representa o mundo todo.
É aqui que mora o impasse do jovem adolescente e este FICAR e seus aliados no novo universo social.
O ingresso no mundo adulto é repleto de rituais, ou seja, o menino passa a ser um homem com barba, com os hormônios a lhe incitarem a sua sexualidade, a inserção no trabalho, o serviço militar, etc.
Já a menina, além das transformações semelhantes como nos meninos, como a sexualidade aflorada, passa por rituais tradicionais da classe média, como seja a de debutar, significando a passagem da vida infantil para a vida adulta..
Muitos estudiosos percebem, é que a adolescência é um período onde o jovem não possui nenhum tipo de blindagem protetora, como na infância em que os pais deliberam o que, para que, e como fazer para proteger a criança.
O jovem fica exposto e suscetível às questões e idiossincrasias da contemporaneidade, uma vez que não possui bagagem suficiente em suas defesas egóicas capaz de lhe aliviar as tensões. Ele passa a ser um alvo frágil e vulnerável para quem quer que lhe delibere algum novo comportamento.
Assim é que, não é à toa que, questões como a violência, o uso de drogas, o desemprego, a dificuldade da inserção no mercado de trabalho, a gravidez precoce, se tornam mais agudas.



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